Bernardo Garrido

Esta história começou a ser escrita em 27/11/12. Ela será contada em partes, visto que levarei horas para conseguir chegar até a data de hoje.

 

Eu (Claudio Garrido) e Simone estamos casados há vários anos.
Em 21/06/2005 nasceu nossa primeira filha Maria Natália, uma linda menininha que encheu nossas vidas de alegrias!
O tempo passou tão rápido que hoje ela já está com 7 anos e meio.
Várias foram as vezes em que ela nos pediu uma irmãzinha ou irmãozinho.
Várias foram as vezes em que pensamos em engravidar novamente, mas fazíamos vários questionamentos. Todos eles normais, visto que não tinhamos tido nenhum problema com a gravidez e o nascimento de Maria Natália e ela era linda e maravilhosa e ainda toda perfeitinha.
As dúvidas eram as que todos casais devem ter. Se é a hora, como irá ser, se conseguiremos economicamente, se isso, se aquilo, se será bom para a Natália, e como o tempo passava rápido, se ainda estávamos em condições de aguentar passar por tudo de novo, visto que eu já chegava próximo aos 50 e Simone dos 42. Enfim, dúvidas e mais dúvidas!
Então, decidimos pela gravidez a partir de 2011 e logo Simone ficou grávida, mas a gravidez foi interrompida espontâneamente. A justificativa final é que teria sido um feto mal formado, pois sua frequência cardíaca já na primeira ultra era abaixo do que seria normal. Da 1a ultra em diante foi recomendado que Simone tomasse ácido fólico e outras vitaminas. Mas, quando fomos fazer a 2a ultra veio a surpresa: não havia mais batidas no coração do bebê e da ultra fomos diretamente para a Casa de Saúde São José para fazer a curetagem. Um momento muito difícil para nós dois. O que eu chorei não sei dizer, pois mesmo que não queiramos só passa coisa ruim pela cabeça. Quando saímos de casa falamos para nossa princesinha que iríamos ao médico, mas que quando chegasse do colégio já estaríamos em casa. E agora?!... Uma curetagem?!... E se acontecesse alguma coisa?!... Graças a Deus, quando foi por volta das 24:00h chegamos em casa e nossa filha estava nos aguardando com muitas saudades. Eu e Simone choramos muito, mas em respeito às estatístidas apresentadas pelo médico, na época o mesmo médico que havia feito o parto da Natália, entendemos que estávamos dentro das estatisticas, que era normal, que acontecia mais do que pensávamos, etc, e acabamos nos conformando e tocamos bola para frente.
Quando foi em novembro/2011 novamente Simone engravidou e, graças à Deus, sua gravidez foi adiante.
A gravidez correu praticamente normal, com pequenas intercorrências, mas nada que deixasse tanto o Dr Carlos Burlá, responsável pelas ultras, como a Dra Luciane Cerqueira, agora a obstetra e ainda amiga pessoal de Simone (uma amizade nova, mas intensa), preocupados em demasia. Tudo que ocorria era considerado pelos dois como normal por diversos fatores até mesmo pela idade da Simone, que já estava com 42 anos, como mencionei acima.
Fizemos todos os exames de praxe, não tendo somente sido realizado o exame de amniocentese, até por que não havia indicação, visto que tudo se apresentava normal e ainda tínhamos de histórico uma linda filha saudável com 7 anos de vida.
Logo que Bernardo nasceu e notamos a presença de várias dismorfias ficávamos comentando que devíamos ter feito esse exame, mas adiante viemos saber que de nada teria adiantado, visto que o exame do cariótipo deu normal. Ou seja, mesmo que tivéssemos feito a aminiocentese não teríamos tido conhecimento de que Bernardo seria uma criança especial.
Por outro lado, sempre que conversávamos nós perguntávamos um para o outro: - e se tivéssemos descoberto? O que faríamos?... como interromper uma gravidez?... já escutamos tantos casos... e, por outro lado, eu sempre afirmava: - Amor, foi melhor não temos descoberto, pois a gravidez que foi motivo de alegria provavelmente viraria momentos de angústia e aflição. E quanto isso não poderia afetar e comprometer ainda mais nosso filho?
Bem, quando confirmamos que seria menino nossa filha Maria Natália estava presente na sala da ultra, pois o Dr Carlos Burlá numa ultra anterior havia informado que havia 90% de chances de ser menina!... Ora, pensávamos eu e Simone, qual não seria a alegria dela ao poder escutar pessoalmente e ainda vendo no vídeo a tão aguardada confirmação de que seria menina (Mariana - ela havia escolhido esse nome)?...
Com uma dose de sorte muito grande eu e Simone nunca afirmamos que seria menina e na hora da ultra, sem combinarmos nada, Simone torcia por menina e eu por menino. A dela era uma torcida verdadeira. A minha era uma torcida apenas para proteger minha princesinha, caso os 90% não se concretizassem, pois eu era tão feliz com minha filha, era tão gostoso ser pai de uma menina, que a minha verdadeira torcida era por outra menina.
Mas, num determinado momento o Dr Carlos Burlá respira e diz: - é... é... MENINO!!!!....
Naquela fração de segundo nossa filha passou da sensação de euforia para a maior frustração que eu em 50 anos de vida pude vivenciar.
Nunca vi algo parecido. Até por que, crianças são muito puras e por isso muito sinceras e vivem seus momentos com muita intensidade.
Naquele momento, Maria Natália de súbito (ela estava sentada no meu colo) virou-se rapidamente para mim, abraçou-me com força e, em silêncio, suas lágrimas começaram a escorrer!... que momento difícil para mim e Simone, para o próprio Dr Carlos Burlá (que ficava brincando com Natália sobre o meninino que ía chegar) e para a própria Maria Natália.
Saímos do exame, fomos para o carro e começamos a brincar com ela. Mas, ela não queria realmente brincadeira. Estava muito decepcionada, estava triste!
Bem, mais uma vez sem combinarmos nada, pois não tínhamos como fazê-lo, administramos de forma que íamos brincando no carro e ao mesmo tempo consolando.
Até que, não me lembro corretamente, não sei se em 1 ou 2 ou mesmo 3 dias, não importa, Simone teve uma ideia brilhante: - filha, estive pensando. Sabe de uma coisa?... e Natália sempre muito atenta em tudo que sua mãe falava na hora de dormir (sempre foi o melhor momento para as duas... a hora de dormir... Simone, sempre muito dedicada, todas as noites deitava com Natália e, até Natália dormir, ela lia para ela alguma história, brincavam e com o passar dos anos e Natália crescendo, ela passava a contar tudo o que ocorria com ela ao longo do dia, principalmente na escola).
Bem, voltando para a ideia brilhante, Simone respondeu:
- Filha, estive pensando... Ainda bem que veio menino, pois só assim voce irá continuar sendo a nossa única princesinha. Ou seja, não terá que dividir seu posto de princesa com ninguém. E ele será nosso príncipe!... Pronto!.. O que você achou do que andei pensando?...
Nada como uma ideia genial como essa!... sei que muitos que fizerem a leitura deste artigo dirão que nossa filha deve ser muito mimada. Sabem de uma coisa? Até acredito que seja, ou melhor, penso que é mesmo. Mas, vivendo o que estamos vivendo hoje com Bernardo, nunca me arrependerei do que eu fiz. Se um dia eu me arrepender de algo, será exatamente do que não fiz. E eu e Simone enchemos sempre nossa filha de muito amor. E amor demais pode acabar mimando. Parafraseando os anúncios de cigarro posso criar a seguinte frase: - Cuidado, amor demais pode mimar!...
Mas, querem um conselho?... Bom, deixa pra lá, pois se conselho fosse bom não se dava, se vendia.
Voltando ao nosso caso, a partir dali a chegada de Bernardo foi aguardada por nós 3 com grande ansiedade e muita alegria. Ao deitarmos os 3 juntos sempre conversávamos com ele. Ficávamos, como todos devem ficar, fazendo planos disso, daquilo. Natália, sempre muito criativa, ficava falando que ele ía querer jogar muita bola, que eu deveria ter sempre muito cuidado com isso para eu não me machucar, etc.
A gravidez caminhava aparentemente normal, digo aparentemente por que Simone teve polidramia e ainda princípio de diabete gestacional.
Hoje, depois de ler, reler e conversar com outras pessoas, tomamos conhecimento de que se a mãe tem polidramia (acúmulo de água) é por que o bebê não está deglutindo corretamente e isso já é um sinal de que ele pode ser especial.
Quero lembrar que não estou afirmando e sim apenas passando informações que recebemos e que podem ser corretas ou não. Cada um deverá discutir com seu médico sobre seu assunto.
Outra coisa foi constatada nas ultras: Bernardo tinha uma leve dilatação no rim esquerdo que o Dr Carlos Burlá pensava que podia ser em função da polidramia.
Ora, como a mãe tem muito líquido a pressão interna é maior e para o bebê conseguir urinar faz mais força e por consequência forçando mais poderia justificar a pequena dilatação no rim. Apresentava algo ainda na bolsa escrotal, que ao escrever neste momento não estou certo do que seria, mas depois revisarei este parágrafo com Simone e farei a devida correção.
Bom, segundo Dr Carlos Burlá, a hidroneforese poderia então ser considerada normal, do quadro, e depois do nascimento de Bernardo em duas semanas deveríamos retornar para fazer uma ultra e verificarmos que a análise dele estaria correta e que muito provavelmente não exisitiria mais.
Igual à polidramia hoje, em função da confirmação da síndrome, sabemos que essa é praticamente e talvez o único sintoma que mais pode caracterizar a Síndrome Schinzel-Giedion, uma vez que, pelos artigos que li, é a única anomalia que pode ser constatada ainda no útero. Porém, apresentar hidronefrose ainda na ultra, não significa dizer que terá a Síndrome Schinzel-Giedion.... Mas, ter Síndrome Schinzel-Giedion confirmada significa saber que a maioria dos casos registrados, ou quem sabe em todos os casos registrados, foi constatado que os bebês apresentavam essa anomalia.
Bom, dando seguimento à nossa história, foi chegando o grande dia, que em alguns momentos, devido à diabete, pensou-se em adiantar a data do parto.
Mas, como Simone é uma mãe super dedicada, simplesmente seguindo as instruções de um nutricionista, ela conseguia controlar o nível de diabete num patamar de segurança, com invejável determinação. Não comia isso, não comia aquilo, não bebia isso, não bebia aquilo, tudo em prol do seu bebê.
Ainda não falei, mas em algum momento eu teria que registrar o que decidi falar agora.
Desde que Maria Natália nasceu Simone demonstrou ser a melhor mãe do mundo!... carinhosa, amorosa, dedicada, persistente, abrindo mão de vaidades, de se divertir, de qualquer coisa, sempre em função de Natália. Nossa, hoje, com Bernardo, chego a pensar que sem ela não seria possível. Quanto dedicação, quanto amor, quanta abnegação, quanto empenho, quanto carinho, quanta atenção, quantas horas sem dormir, quanta raiva por que ele não fica do jeito que ela gostaria, quanto isso, quanto aquilo!... Ah, detalhe muitíssimo importante: mesmo estando super cansada, preocupada, desgastada, ela ainda arruma tempo para todos os dias ainda se deitar com Natália e ficarem conversando como nos bons tempos.
Estou com 51 anos e muitos anos atrás era moda umas figurinhas auto-colantes que brincavam com a frase "Amar é.... "... é daí vinha algo que completava, tão simples, tão inesperado, que todos entendiam que aquilo é que era amar.
Hoje, amadurecido e com esta experiência do Bernardo, eu poderia criar várias frases para a coleção do "Amar é...".
Algumas:
"Amar é, abrir mão de toda sua vida para viver a vida do seu bebê..."
"Amar é, ficar 15, 20, 30 minutos olhando para o rostinho do seu bebê, admirando e tentando entender o que ele pode estar pensando, uma vez que ele nunca falará com você..."
"Amar é, pedir ao seu amorzinho um beijinho e como ele não entende ou não interage, você encostar seu rosto no dele e fazer o barulhinho como se ele estivesse te beijando..."
"Amar é, seu marido chegar do trabalho de madrugada, e encontrar sua esposa curtinho seu bebê no colo, não por que ele está sem sono, mas sim por que ela não sabe quanto tempo ele irá viver e, por isso, curte cada segundo, cada minuto que pode..."
Enfim, e muitas outras eu poderia escrever aqui, para mostrar o quanto minha esposa é digna de ser a maior e melhor mãe do mundo!
E de novo, voltando para nossa história, com o papo de adianta ou não adianta o parto, trocando ideias com nosso pediatra, Dr Volgano Pulcheri, o mesmo confirmando com a obstetra e com Simone de que tudo estava sob controle, afirma que não seria conveniente antecipar, pois um erro na informação da última menstruação antes da gravidez poderia fazer com que a contagem das semanas estivesse equivocada e, não havendo motivo, não se deve antecipar nunca um parto, visto que a natureza sabe definir a melhor hora, que é quando as contrações começam a ocorrer naturalmente. Essa é a hora.
Mas, com sua experiência profissional, ele não é nenhuma criança, já tendo passado dos 55 anos, ele então sugeriu que contássemos uma semana a mais, desde é claro que não houvessem contrações, e daí se faria a cesária.
E, após essa sugestão, assim foi definido o dia 13 de julho de 2012 para a tão chegada hora do nascimento de nosso bebê.
As vésperas do nascimento e Simone ainda para lá e para cá, com trabalho e, acreditem, com a preparação do quartinho de Bernardo, o qual, aliás, ficou lindo!
Uma decoração simples, economica, mas que com uma dose de amor enorme, transformou tudo em um ambiente rico de detalhes para nosso amado e esperado filho.
Seu quarto é verde clarinho, berço branco, moveis brancos. Nas paredes têm os bichinhos que ele ganhou ao longo da gravidez e ainda alguns que Simone comprou para sua chegada.
No berço tem um lindo mobile que eu mesmo fiz questão de comprar e que ele parece adorar as músicas.
Tem um lindo conjunto de roupa de cama e uma linda almofada tipo um pirulito (gordinha) que sua tia Maria, tão amorosa, enviou de Vitória-ES com seu nome bordado. Linda!
Enfim, chegada a hora, dia marcado, 6a feira, chegamos bem cedo ao hospital. O hospital escolhido foi a Perinatal da Laranjeiras.
Nossa vontade era que fosse na Casa de Saúde São José, mas a obstetra adora a Perinatal, praticamente faz todos seus partos na casa, e entendemos que ela estando tranquila seria muito importante para que tudo corresse bem.
E tudo correu muitissimo bem. Simone não chegou a entrar em trabalho de parto, mesmo com 1 semana a mais. Estava toda a equipe da obstetra, Dra Luciane Cerqueira, que além de obstetra é amiga pessoal, pois sua filha é a melhor amiguinha de Natália. São, inclusive, da mesma sala na escola em que estudam.
Dr Volgano, é claro, também estava presente, pois muito embora a Luciana tenha sua pediatra de sala, conversamos e ela prontamente aceitou que o pediatra fosse o mesmo que foi da Natália, o qual adoramos!
Tudo corria super bem, até que Luciana puxou definitivamente Bernardo para o nosso mundo.
Naquele momento eu, ao ver seu rostinho, percebi de imediato que havia algo de estranho.
Muito embora eu não tenha nenhuma experiência de sala de parto, pois só participei do parto da minha filha, e mesmo escutando que existem bebês que nascem todos amassados e etc, ao visualizar Bernardo, mesmo que muito rapidamente, observei de cara que ele tinha traços diferentes.
Logo ele chorou, fez xixi (que era uma preocupação em função da hidronefrose), e teve apgar de 8, 9 e 10, se não me engano.
Em seguida colocaram ele com Simone e logo depois Dr Volgano o pegou, ou me deu, mão me recordo exatamente, para que ele fosse levado para o berçário e apresentado à família que o aguardava ansiosa no grande vidro daquele enorme aquário.
Antes de sair da sala de parto e entrar no berçário eu já puxei o Dr Volgano pelo braço e perguntei: - Dr, tem algo de errado não tem?!... ele tentou me tranquilizar, brincando até comigo que ele poderia ser apenas feio como eu, mas acabou confessando, sobre minha pressão, que tinha sim algumas observações a fazer, e começou a fazê-las.
Começava ali, então, a procura para saber o que significavam aqueles traços.
Continuarei outra hora, pois são 3:40h e tenho que estar no escritório às 8:00h.
Até....

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